Vender a Hering por R$3 bi pode ser chamado de fracasso?

Palestras e livros sobre empresas familiares em geral estampam, de alguma forma, que 70% dessas companhias fracassam na troca de gerações.


Questionador que sou, já pesquisei e perguntei a alguns veteranos o que exatamente é “fracassar”. A resposta nunca é muito clara. Vamos falar da Hering, uma das mais antigas empresas familiares do Brasil e que está prestes a ser vendida para outra família empresária, fundadora da Arezzo. Vamos supor que seja verdade que a 6ª geração não quer seguir a vida de empresário no Brasil. A venda (e o valor deve subir para 4 a 5 bi) traz liberdade a todos os familiares, de fazer o que quiserem – empreender, investir, estudar, viajar... Quem sou eu para julgar as vontades dos outros? A marca seria preservada, a empresa ganharia energia e fôlego com um novo investidor motivado, com capital e uma plataforma para tornar a empresa mais eficiente. Quando uma família empresária vende uma empresa, ela continua sendo uma família empresária. A venda só é sinônimo de fracasso para quem tem a ideia fixa de que empresas precisam continuar com a família e crescer, crescer. Eu prefiro investigar, antes, qual o desejo dos familiares, dos indivíduos. Que sejam felizes! Matéria do Estadão de domingo, 18/4/2021.

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