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“Profissionalizar” a empresa: afinal, o que isso quer dizer?  

Resumo: pesquisa com empresários familiares mostra que não existem duas respostas iguais para o que seja “profissionalizar a empresa”. Antes de sair fazendo, é preciso entender exatamente o que se almeja e como a iniciativa ajudará a alcançar os objetivos da empresa e da família. Um processo bem sucedido de profissionalização precisa começar por um bom diagnóstico.


Gustavo Sette. 23/04/2018



Na história de uma empresa familiar, é quase inevitável que, em um belo dia, os proprietários decidam que é hora de “profissionalizar” a empresa.


É uma ótima ideia e geralmente carregada de boas intenções, mas qualquer iniciativa nesse sentido deve começar com duas perguntinhas básicas:


1 – O que é profissionalizar a empresa?

2 – O que a empresa / ou os donos querem atingir ao fazer isso?  


Perguntei recentemente a alguns empresários, “o que é profissionalizar uma empresa familiar?”. As respostas encontradas mostram bem a falta de consenso sobre o conceito.


Resumindo as respostas, profissionalizar é…

  1. Tirar a família da gestão.

  2. Contratar uma auditoria externa.

  3. Implantar um conselho de administração.

  4. Trazer um CEO de mercado.

  5. Definir o sucessor.

  6. Trazer práticas de grandes empresas.

  7. Tirar a família totalmente da rotina.

  8. Vender a empresa, ou parte dela.

  9. Melhorar as políticas e processos.

  10. Implantar um conselho consultivo.

  11. Expandir para o exterior.

  12. Abrir capital.

  13. Criar regras para os familiares que trabalham na empresa.

  14. Trabalhar com metas.


“Profissionalizar a coisa errada” pode atrapalhar


Uma visão comum do “profissionalizar” é que a empresa familiar deve emular as estruturas, sistemas e processos de uma empresa grande. É preciso lembrar que o sucesso de muitas empresas familiares está justamente em algo PRÓPRIO, que só ela faz justamente por ser familiar. Além disso, sair profissionalizando tudo pode tirar a identificação do dono com a empresa, trazendo profundo desgosto pessoal.


Aqui na cidade que eu moro existe um restaurante italiano que é familiar até no nome. Uma das donas é uma senhora italiana que recebe os clientes, anda de mesa em mesa, conversa com todos. A satisfação dela ao fazer isso é visível, e a maioria dos clientes parece gostar. Imagine profissionalizar o atendimento: garçons treinados em boas escolas, tudo será treinado, cronometrado e a proprietária não poderá mais falar com os clientes.

Profissionalizar demais o atendimento pode mexer na identidade do restaurante e, pior, tirar o prazer, o tesão de uma das donas. Talvez esse restaurante possa ser mais profissional nos processos de compras, conservação de alimentos, apuração de custos dos pratos, no fluxo de preparo dos pedidos, no sistema de reserva de mesas, no processo sucessório… O atendimento pode parecer amador, mas às vezes esse amadorismo faz parte da essência de um negócio.



A arriscada mania de “sair fazendo”


A onda do momento nos “livros de aeroporto” nesse 2018 é inovação, disrupção, fintech, startup, Vale do Silício, design… Muitos empresários leem sobre esses temas e querem sair fazendo, sem analisar os porquês.


Esse é um grande problema no universo das empresas. Donos de companhias costumam sofrer com a solidão do poder. Sem pessoas no mesmo nível para conversar, de repente um empresário consolidado fica aterrorizado por não estar adotando práticas de startup, pois “está todo mundo fazendo” o tema da moda.


Nas empresas familiares, “profissionalizar” é um tema que não sai de moda, e não deve sair mesmo, mas tudo deve ser feito olhando para frente. Empresas precisam ter objetivos e aspirações (a chamada “visão”), e projetos de profissionalização ou outros temas devem ser considerados apenas se ajudarem a atingir esses objetivos.


Se não souber o objetivo, não comece


Meu trabalho com clientes que querem “profissionalizar” começa com um entendimento detalhado dos reais desejos por trás da ideia. Quais os objetivos de longo prazo da empresa e da família e como a tal “profissionalização” ajudará a atingir esses objetivos?


Não é um exercício fácil e, nesses momentos, fico feliz por não cobrar por hora, o que sempre me pareceu um conflito ético na atividade de consultoria (quanto mais demorar, mais o consultor ganha?). Uma solução rápida é sempre melhor para todos, mas as coisas nem sempre são velozes e um bom diagnóstico é o alicerce de qualquer tipo de consultoria bem-sucedida.



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