Brigas por herança em geral só têm um vencedor: os advogados

Não há testamento, holding, fundação, trust, adiantamentos disfarçados, family office ou pactos antenupciais que parem em pé sem a aceitação de quem será impactado por eles.

Algumas famílias empresárias investem muito dinheiro, tempo e geram ressentimento criando estruturas, blindagens e atalhos para driblar o direito dos herdeiros, mas em geral isso não acaba bem.





Esse caso da CSN é clássico: a separação de bens tem efeito no divórcio, mas não na morte. Acostumados ao poder e a conviver com pessoas que falam “sim” para tudo, muitos empresários compram brigas que poderiam ser bem resolvidas com diálogo, com um bom acordo.


Aposto que a herdeira em questão teria aceitado um acordo por uma fração do que vai receber, principalmente se tivesse sido ouvida e considerada. A briga durou 10 anos, custou milhões e produziu uma acionista relevante e, provavelmente, não muito simpática aos seus sócios.


Advogados que montam essas estruturas estão sempre no ganha-ganha. Se a montagem der certo, eles protegeram o cliente. Se der errado, precisarão ser contratados para defender a causa.


A solução é o diálogo e a prevenção, PRINCIPALMENTE em famílias atritadas. Não há poder que elimine os direitos de um herdeiro.


Valor Econômico, 28/5/2021.

0 visualização0 comentário