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A visão de longo prazo das empresas familiares em 4 indicadores financeiros.

O banco Credit Suisse acompanha, desde 2006, um grupo de 1.000 empresas familiares de todo o mundo, e compara com um grupo de empresas não familiares e semelhantes.

Em todos esses anos, o grupo das familiares produziu melhores resultados, margens e crescimento.

O relatório anual da pesquisa procura trazer elementos que explicam essa diferenciação. É um estudo primoroso para famílias empresárias e para quem trabalha com o tema.

Ano após ano, os pesquisadores concluem que a maior vantagem das empresas familiares está na visão de longo prazo.

Como isso se traduz em ações e indicadores financeiros?

Analisando diversos indicadores financeiros e comparando-os entre as familiares e não familiares, o banco chegou a 4 métricas que explicam a visão de longo prazo nas empresas familiares.

Investimento em CAPEX é maior que a depreciação

O investimento em CAPEX das empresas familiares é maior do que a sua depreciação, e essa relação é maior do que a de empresas não familiares.

Capex é a sigla para “capital expenditure”. É quanto a empresa investe na aquisição de bens, máquinas e instalações, tais como construção de uma nova fábrica, aquisição de uma frota de veículos para a equipe de vendas etc). A depreciação é a forma contábil de traduzir quanto os ativos de uma empresa se desgastam ao longo do tempo.

Empresas familiares investem mais em CAPEX do que as não familiares, e o estudo mostra isso olhando a relação com a depreciação. A cada 1 real que uma empresa tem de depreciação, quanto ela investe em CAPEX? A cada 1 real que uma máquina se desgasta, quanto é investido em uma máquina nova?

Colocando de forma exagerada, imagine um executivo da empresa não familiar totalmente focado em seu bônus do ano. Ele tenderá a investir menos na infraestrutura que será necessária no futuro. Se a máquina quebrar, “dá um tapa” para aguentar mais um ano, quando ele provavelmente já estará em outra área (ou empresa) e o problema ficará para o próximo.

É possível notar, no gráfico, um descolamento da Ásia. A sigla APxJ significa “Ásia e Pacífico exceto Japão”, que vive outra dinâmica. A economia dessa região vive um crescimento recente muito agressivo, com muitas empresas novas e que, portanto, investem mais e têm menos ativos para depreciar. É um retrato visível nesse e nos demais indicadores.

Maior investimento em P&D em relação à receita

Pesquisa e desenvolvimento (P&D) é, por definição, um investimento de longo prazo. As empresas costumam medir quanto do seu faturamento investem em pesquisa.

Nesse critério, vemos uma diferença enorme nos Estados Unidos: empresas familiares americanas investem MUITO mais do que as não familiares. Na Ásia e na Europa, a diferença é pequena mas, ainda assim, o investimento das familiares é maior.

Apesar de investirem mais em pesquisa, as empresas familiares não fazem loucura para buscar a inovação. Entendem que pesquisa é um investimento de risco e que, portanto, não pode ser feito com dinheiro caro. Conseguem retrair o investimento futuro quando o curto prazo exige mais caixa.

Crescimento mais acelerado do investimento total

Empresas familiares crescem o investimento total em quase 9% ao ano, enquanto as não familiares crescem 5%.

Esses percentuais variam muito por região. Pelo crescimento recente, a Ásia tem muitas empresas novas. Naquela região, o investimento total cresce mais de 14% ao ano! Já na Europa, de empresas antigas e em um momento econômico muito menos vibrante, o investimento cresce menos de 2%.

Porém, nos dois extremos, as empresas familiares têm um crescimento maior do que suas pares não familiares.

Menor saída de caixa para dividendos e buy-backs

Empresas com visão de longo prazo reinvestem mais da sua geração de caixa no negócio. A média global indica que as empresas familiares dedicam 6,8% do caixa gerado em recompra de ações, enquanto a média global é de 15,8%.

A recompra de ações (buy-backs) é, na maioria das vezes, uma forma mais barata de “agradar os acionistas”. Vale lembrar que o Brasil é um dos poucos países em que dividendos não são tributados – ainda!

Nesse critério, é notável a dinâmica mais agressiva da economia americana, que investe mais do dobro da sua geração de caixa nessas modalidades. Talvez seja uma necessidade do momento, em que a economia está forte, em pleno emprego e bolsas crescendo… Tudo isso deixa acionistas e executivos mais “mimados”.

12 anos de consistência

Os dados apontados até agora mostram a realidade de 2017, mas a pesquisa do Credit Suisse ressalta que, em toda a série desde 2006, as empresas familiares sempre foram mais voltadas ao longo prazo nesses 4 indicadores: investimento mais agressivo em CAPEX, em pesquisa, um crescimento mais forte do investimento total e menor alocação do caixa gerado em recompra de ações e dividendos.

Há outro aspecto, não abordado nessa parte da pesquisa mas muito importante: empresas familiares são muito mais conservadoras na tomada de crédito – e, como consequência de sua gestão mais responsável, costumam ser privilegiadas, pelos bancos, nos ratings de crédito. Famílias são melhores pagadoras!

É tema para um próximo artigo.

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